Nome: Nainôra Maria Barbosa de Freitas


Formada História com Doutorado em História do Brasil.
Profª História Eclesiástica do Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Profª de História Geral do Centro Universitário Claretiano e Profª de História da América do Centro Universitário Barão de Mauá

 

Anita Garibaldi: a heroína de dois mundos


A vida de Anita Garibaldi ficou eternizada por seus feitos heróicos no coração da cidade de Roma, na Itália e na cidade de Laguna, em Santa Catarina, no Museu que tem o seu nome, entre dezenas de outros locais que retratam essa heroína de duas pátrias.

Ana Maria de Jesus Ribeiro, filha de Maria Antonieta de Jesus e Bento Ribeiro da Silva, família modesta, o pai era tropeiro, condutor de gado e lavrador. Em 1835 após a morte do pai ela casou-se com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar que a abandonou para alistar-se no exército imperial.

Os gaúchos estavam em luta contra o governo Imperial chefiados por Bento Gonçalves na Guerra dos Farrapos ou Farroupilha. Os revoltosos queriam se separar do Império brasileiro. O movimento que começou no Rio Grande do Sul chegou a Santa Catarina, local em que em Laguna foi proclamada a Republica Juliana.

Os revoltosos contaram com o apoio do italiano Guiseppe Garibaldi, idealista das causas da liberdade que havia oferecido seus serviços aos revoltosos.

Em Laguna, Guiseppe Garibaldi que ficou conhecendo Anita, apaixonaram-se e ela seguiu o italiano lutando a seu lado.

Juntos, ignoraram as regras da sociedade, pois ela ainda era casada e Guiseppe tornou-se seu companheiro. Desta relação veio o nome pelo qual Anita passou a ser conhecida na história como Anita Garibaldi. Ao lado de Guiseppe, Anita atuou nos combates em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

No final da revolução as forças farroupilhas foram aos poucos dominadas pelo exército imperial. Em 1841, Garibaldi foi dispensado por Bento Gonçalves e recebeu como pagamento pelos serviços prestados 900 animais. A família seguiu pelo pampa gaúcho até o Uruguai junto com o primeiro filho Menotti.

No Uruguai depois de percorrer o pampa em 50 dias, restando poucos animais, Garibaldi passou a lecionar matemática, história e caligrafia, enquanto Anita costurava para completar o orçamento ao mesmo tempo em que aprendia a ler e escrever.

Anita ficou viúva eles legalizaram a união em 1842 na paróquia de São Bernardino, em Montevideu. Nessa cidade, nasceram os outros três filhos: Rosita, Teresita e Riccioti. Rosita veio a falecer no Uruguai aos dois anos e meio.

Em meio a luta de Juan Manoel Rosas pela independência do Uruguai, Garibaldi foi convidado a cooperar com o presidente Fructuoso Rivera inimigo de Rosas. Em 1847, Garibaldi envia sua família rumo a Itália onde os esperava uma nova guerra, desta vez pela unificação da Itália.

Em 2 de março de 1848 Anita chegou a Genova, onde foi recebida pela mãe e amigos de Garibaldi e várias homenagens foram feitas a esposa do general Garibaldi e seus filhos. Garibaldi voltou para a Itália e as lutas pela unificação e emancipação do território. Anita, em 1849, grávida de seis meses, sabendo da difícil situação do marido, sitiado em Roma, deixou os filhos com a sogra e foi ao encontro dele participando da retirada de Roma. Em plena guerra de unificação o casal recusou o salvo conduto de permanecer em San Marino. O casal fugiu no momento em que Anita estava com a saúde debilitada e chegou a fazenda Guiccioli, em Mandriole, local em que faleceu aos 29 anos, grávida do quinto filho. Garibaldi escreveu em suas Memórias: “Eu chorei amargamente a perda da minha Anita. Aquela que foi companheira inseparável nas mais aventurosas circunstâncias de minha vida”.

Garibaldi exilado pouca coisa pode fazer e o corpo de Anita foi exumado inúmeras vezes até ser enterrado em Roma. Em 2 de junho de 1932, em solenidade oficial do governo italiano, na presença de Benito Mussolini, os restos mortais de Anita foram depositados a base do monumento eqüestre levantado em honra da heroína na Piazzale Anita Garibaldi, em Roma.

Heroína de dois mundos, Anita a mulher ousada que desafiou a sociedade da época ao se juntar a Guiseppe e a lutar pela causa da Republica Juliana e depois pela unificação da Itália.

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