É impressionante como as coisas mais
simples, são verdadeiras e importantes.
Veja a seguir uma atividade, absurdamente simples, que pode fazer com
que seu filho ou aluno, veja com outros olhos o hábito da leitura.
É uma atividade que vai estimular, firmar ou mesmo fazer com
que seu filho ou aluno, tome gosto de vez pela leitura.
O primeiro passo é
conversar com a criança e descobrir seu gosto literário.
Gosto literário aqui significa, saber de que tipo de história
ela mais gosta.
Feito isso, provoque ela
à leitura. Isto é feito do seguinte modo: Primeiro leia
você mesmo um livro, sobre o assunto do qual ela gosta. Deixe
que ela veja você lendo. Se fizer isso sutilmente, será
melhor ainda. Não tente chamar atenção para o fato
de estar lendo, especialmente se você não tem o hábito
de ler regularmente, pois ela pode perceber o artifício e estragar
a tática.
Se o adulto é do
tipo que gosta de ler e ela já sabe disso, então pode
agir de forma natural. Ao ler o livro, procure demonstrar as emoções
que sente a partir do que está lendo. Isto é, ria, faça
comentários baixinho como se estivesse falando sózinho
etc., Isso vai deixá-la bastante curiosa.
Ao perceber que você
gosta da mesma coisa que ela, sua auto-confiança, vai receber
uma enorme injeção de ânimo. Imagine só,
um adulto que gosta do mesmo que eu - pensará ela - e sem ninguém
pedir para que ele fizesse isso!
Quando terminar de ler,
não lhe ofereça o livrinho. Ao invés disso, coloque-o
em lugar visível, converse com ela sobre outros assuntos, e finalmente
sobre histórias do tema que ela prefere; então comente
sobre o que acabou de ler. Como isso é feito por partes, a pressa
pode estragar tudo. Assim, em outra ocasião, diga que comprou
um livro para ela ver, e que é muito bom.
Importante: Em momento
algum a obrigue a ler. Dê-lhe o livrinho e pronto. Pode ser que
no primeiro contato, ela apenas vá folhear as páginas
para explorar o terreno onde vai pisar.
Aqui vale uma interrupção
para algumas observações importantes, que vão determinar
o sucesso ou o fracasso do seu plano. Veja bem, não é
que "pode determinar", é que "vai determinar".
Toda criança, com
raras exceções, gosta de livrinhos com:
Desenhos bem feitos. Tem
que ser desenhos ou ilustrações; elas acham fotografias
deprimentes e sóbrias demais para seu mundo, pode até
ser uma fuga da realidade, mas é assim, e nesse momento não
adianta entender porque. Saiba apenas que fotos para elas são
menos interessantes que ilustrações.
Os desenhos ou ilustrações
devem refletir claramente o que está no texto que ela está
lendo, para que possa associar o mesmo com a idéia visual da
situação, já que ela sozinha ainda é incapaz
de fazer isso, e ainda está construindo associações
de palavras com imagens.
Folhas com pouco texto.
Texto claro, de preferência
com palavras que ela já conheça (isso não é
obrigatório).
Livro com poucas páginas;
média de 20.
Assim, é chegado
o momento de você agir. De posse do livro, após tê-lo
folheado, use então o argumento mágico.
PEÇA QUE ELA LEIA
O LIVRINHO DELA PARA VOCÊ!
Ao pedir isso, demonstre
que tem total confiança nela (isso se consegue com a entonação
certa da voz, tom firme, normal, como se fosse a coisa mais natural
do mundo, sem titubear). Diga também que tem interesse no livro.
Nesse ponto, toda insegurança comum na criança, ao oferecer
ou compartilhar alguma coisa com os adultos, tende a sumir.
Durante a leitura, se quiser,
você pode interromper para fazer algum comentário com relação
a história. Também, antes de começar, diga-lhe
que se tiver alguma dúvida sobre o significado das palavras,
que pergunte; ou melhor, use seu bom senso e faça comentários
complementares sem que ela peça, ao menos sobre aquelas que você
julgue mais apropriadas, e até como uma forma de enriquecer o
texto. É importante que você saiba, que ela só vai
perguntar se confiar em você, ou se você tiver lhe dado
autorização explicíta para fazer isso. Está
feito então, ela está pronta e sem mais nenhuma inibição.
Finalmente, seja paciente
e nunca a corrija, diga apenas que não entendeu direito, algum
parágrafo, etc. Nesse caso, você pode pedir que ela comente
o que entendeu... Pode ser que durante a leitura ela baixe um pouco
a voz o que é normal. Peça, sem mandar, com muito humor
e gentileza, que ela fale um pouco mais alto. Isso, só vai significar
para ela que você está de fato interessado na leitura,
e sua motivação aumentará ainda mais.
Ao perceber que ela está
cansada, peça para fazer uma pausa. Os sintomas de cansaço
são: mudança constante na posição, olhadas
sutis para o lado, tentativa de deitar no chão, etc.
Por fim, comente com ela
a história que foi lida. É provável que ela não
tenha entendido bem o conto, já que apenas crianças maiores,
conseguem ler para os outros e prestar atenção no que
estão lendo.
Diga que a história foi muito boa, que você gostou, e lhe
dê a sugestão de que ela deve ler quando estiver com vontade.
Mesmo que ela não
aceite na hora, o que é mais provável, deixe o livro em
local visível e acessível, e incite-a outras vezes para
que leia, sem forçar ou exigir. Faça isso em tom de comentário.
É importante que
você saiba que, ao pedir para ela ler, você lhe deu confiança;
confiou a ela uma tarefa de gente grande, e gostou do que ela fez; isso
a fez se sentir importante. Melhor de tudo, essa é a impressão
que ela terá de você a partir daí.
Os efeitos benéficos
disso para sua personalidade são definitivos. Assim, a semente
do hábito da leitura foi plantada de forma simples, natural,
sem as pressões da obrigação, em clima de harmonia,
como tudo que é verdadeiro deve ser.
Um último aviso:
Peça que leia para você outras vezes. Dê-lhe mais
livros, valorize e incentive a sugestão dela; acompanhe-a na
hora de comprar ou escolher o livro. Use sua criatividade para usar
essa mesma abordagem em sala de aula!