Pílulas compostas por extratos vegetais prometem reduzir o
peso, mas não há pesquisas que comprovem sua eficácia
e há casos de graves efeitos colaterais.
Efeito Colateral - Vendida
no Reino Unido, a pílula Alli tem causado crises de diarreia
em alguns consumidoresNa luta para perder peso, costuma valer tudo:
exercícios físicos, dietas rigorosas ou remédios,
muitos remédios. A oferta de medicamentos para emagrecer é
enorme e qualquer novidade logo consegue adeptos. No Reino Unido,
a pílula Alli, que acaba de chegar às farmácias,
alega evitar a absorção de um quarto da gordura dos
alimentos ingeridos. Mas a droga tem causado crises de diarreia e
gases em quem ingere alimentos muito gordurosos depois de tomá-la.
Mas existe uma opção "natural"
eficaz e sem risco de efeito colateral? Pílulas de extratos
vegetais, como de laranja-amarga ou algas, são vendidas como
"remédios naturais", sem necessidade de receita médica,
e são muito procuradas porque parecem uma opção
menos agressiva ao corpo. Aí está o problema.
Médicos endocrinologistas se opõem
ao uso desses produtos porque faltam pesquisas que comprovem sua eficácia,
além de muitos efeitos colaterais que podem surgir. Um deles
é o efeito laxante dessas pílulas, que prometem acelerar
o metabolismo, fazendo o corpo queimar mais calorias, e reduzir a
ingestão de gordura.
Saiba mais
»Oito alimentos que você
deve comer todos os dias
»Os alimentos mais saudáveis do mundo
»A dieta das melhores escolhas
»Comida de bebê pode ser pior que guloseima
»Comer porcarias deixa as crianças mais gordas, mas felizesPor
serem classificadas como suplementos alimentares, e não como
remédios, essas cápsulas não precisam de prescrição
nem são alvo de uma regulamentação rígida.
Seus rótulos informam que elas devem ser consumidas em associação
a tratamentos para perda de peso, com remédios indicados por
um profissional e uma dieta balanceada. Ou seja, elas não funcionariam
isoladamente para diminuir o peso. "È como uma pílula
para matar a sede", diz Walmir Coutinho, endocrinologista e presidente
da Federação Latino-Americana para o Estudo da Obesidade.
"Só que, para tomar essa pílula, é necessário
tomar um copo de água; ou seja, não é ela que
mata a sede." Por isso, muitas vezes elas parecem dar resultado,
quando a perda de peso foi causada por uma outra mudança de
hábito.
Perigo na fórmula das pílulas
A composição desses produtos traz riscos por incluir
medicamentos de uso controlado, como anfetaminas, diuréticos
e hormônios. Em doses descontroladas, os hormônios, por
exemplo, levam ao hipertireoidismo – distúrbio que pode
causar taquicardia e levar à morte.
A seguir, veja as principais substâncias
presentes nessas cápsulas de emagrecimento:
Ágar-ágar
O extrato de algas marinhas é um laxante e também aumenta
a sensação de saciedade. Como não é solúvel
em água, "incha" e aumenta de volume, preenchendo
mais o espaço do estômago. Mas essa sensação
não é suficiente para ajudar no emagrecimento, pois
nada garante que a pessoa vá comer menos, mesmo sentindo-se
satisfeita.
Caralluma fimbriata
O remédio derivado de um cacto encontrado na África
e na Índia foi comercializado por muito tempo como uma solução
para tirar o apetite, agindo no cérebro. Tribos nativas das
regiões onde a planta é encontrada usavam-na para não
ter fome durante longas caças. "Nada disso foi comprovado.
Laboratórios farmacêuticos abandonaram as pesquisas com
essa substância. Ela é inútil para o emagrecimento",
afirma o médico.
Cáscara sagrada
Planta medicinal, originária de florestas de coníferas
dos Estados Unidos. Age no intestino contra prisão de ventre
e tem efeito laxativo. Pode até causar perda de peso, mas por
conta da desidratação. "Laxantes não devem
ser considerados remédios para emagrecer. Esse tipo de substância
alivia a constipação porque inflama o intestino",
diz Mancini.
Cassiolamina
Extrato do fruto da leguminosa Cassia nomame. Promete inibir a ação
da enzima lipase, responsável por digerir a gordura que chega
ao corpo por meio dos alimentos. Sem ser digerida, essa gordura seria
eliminada. Segundo Marcio Mancini, não há estudos comprovando
que uma substância natural como a cassiolamina tenha a mesma
ação do orlistate, princípio ativo do remédio
Xenical.
Citrus aurantium
Extraído da laranja-amarga, teria a capacidade de acelerar
o metabolismo e queimar gordura, além de ser fonte de vitamina
C, que é um antioxidante. Além disso, ajudariam a aumentar
a massa muscular. Esse extrato tem uma substância chamada sinefrina,
e não há consenso de seus benefícios. Ela é
similar à efedrina, proibida em alguns países por causar
problemas cardíacos. Segundo Mancini, a sinefrina não
aumenta as proteínas musculares nem estimula a liberação
de adrenalina, como se acredita. E comer a própria laranja
é a melhor forma de obter fibras e vitamina C.
Faseolamina
Glicoproteína retirada do feijão-branco. Promete favorecer
o funcionamento do intestino com suas fibras solúveis, inibir
a absorção de gordura e conter a elevação
da glicose no sangue. Mas a quantidade de fibras seria pequena demais
para a substância realizar tudo isso. A gordura não-absorvida
é tão pequena que não faz
Um abraço a todos e até
a próxima!